No canto da calçada, uma bicicleta encostada.
Ao lado, um pacote com bolachas espalhadas, duas garrafas - de água, quem sabe?
Entre caixas e um cobertor fuleiro, um homem.
Sobre meus ombros, alguém que assistiu à cena de um plano superior, com descrença, com ineditismo. Alguém que em cinco segundos criou várias versões para o ato, até que perguntou por qual motivo o homem dormia na rua. Expliquei, sem entender. Mais: garanti que na rua meu interlocutor só dorme se assim desejar, mas que torço para que isso não aconteça.
E seguimos por uma, duas, três e mais algumas quadras.
Espaço em que ele decidiu que não compraria nada.
Que voltaria feliz para a casa que mais cedo não era linda.
Suspeito que não tenha aceitado as várias versões que dei para a situação e sonhe com algumas delas. Pudera. Também não aceitei minhas versões.
Ainda não consegui entender.
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