sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Segundo, o primeiro

Parei de ler o livro, encostei o volume na coxa e bati algumas vezes, buscando na dor física a resposta para a pergunta incômoda. Há alguns minutos ela entrou sorrateira no enredo, mas não pertencia à história. Era uma pergunta minha, só minha, sem resposta.

Olhei pro lado, respirei, um costume meu:
-Quando foi que ouvi um “eu te amo” , aquele, pela primeira vez?

Olhei pro lado mais uma vez. Uma outra. Respirei. Fechei os olhos. Visitei o passado. Revirei as lembranças.
Nada.

Pensei:
-Se não sou capaz de lembrar, não deve ter sido amor.

Realoquei o sorriso na face: prefiro mesmo é ficar com a segunda vez.

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